quinta-feira, 1 de julho de 2010

"Veio ensinar hebraico"

Durante quatro meses, o norte-americano Michael Mendes Seixas esteve na vila a conhecer a comunidade judaica e a dar lições de hebraico. E promete voltar

QUANDO, há cerca de 20 anos, soube da existência da comunidade judaica de Belmonte, o norte-americano Michael Mendes Seixas rapidamente decidiu que um dia havia de vir até cá para a conhecer melhor. Esse desejo concretizou-se há oito anos, quando visitou a terra de Cabral ainda como turista. Depois veio mais uma vez. E agora repetiu a viagem, tendo permanecido por quatro meses. A sua missão, desta vez, foi ensinar hebraico a quem estivesse interessado.

Esta semana regressa a Israel, onde está a estudar para ser rabino. “Faltam-me dois anos para concluir os estudos. Quem começa quando ainda é novo não precisa de tanto tempo, mas para os mais velhos são necessários dez anos. Já cumpri oito”, conta Michael Seixas, actualmente com 57 anos e que está em Jerusalém há 12.

Apesar da naturalidade e nacionalidade norte-americana, rapidamente se vê, pelo nome completo, que Michael tem raízes lusas. De facto, a família Mendes Seixas é proveniente de Portugal e o primeiro a emigrar para os EUA foi Abraão Mendes Seixas no início do séc. XVIII. No nosso país chamava-se Miguel Pacheco da Silva e estava obrigado a ser cristão. Na América pôde finalmente assumir a fé judaica. Quase toda a família manteve sempre a ligação aos negócios e mais tarde colocou vários membros na maçonaria norte-americana.

Michael Mendes Seixas é um dos herdeiros da família e por isso quis sempre “conhecer me-lhor” a terra dos seus antepassados, o local de onde saíram as suas raízes.

Uma comunidade dedicada

O hebraico é um idioma difícil para os latinos, mas mesmo assim houve algumas pessoas interessadas em aprender em Belmonte, sobretudo os mais novos. “Reconheço que não é fácil para quem contacta pela primeira vez com a língua. Mas alguns gostaram e agora as aulas vão continuar por computador. Depois, em Janeiro, regresso a Belmonte”, diz Michael.

Nesta sua estadia em Belmonte, o americano leu também a Tora (livro sagrado do judaísmo) no Sabath (sábado) e ficou impressionado com os judeus locais. “Esta comunidade dedica-se de corpo e alma à oração. Tem orgulho nas suas origens. Consegue ter mais presença na sinagoga do que os judeus de Lisboa ou Porto”, revela Michael, que ficou alojado numa casa da comunidade, recebendo apenas 150 euros por mês para as despesas do dia-a-dia.


in "Jornal do Fundão"

1 comentário:

al cardoso disse...

Ha muita gente que desconhece ate aqui nos E.U.A., que os primeiros judeus que para ca vieram ainda no seculo XVI eram judeus portugueses, entre estes esta a familia Lopes Cardoso, logo os dois apelidos meus, embora eu possa nao ter sangue judeu, no entanto desconfio que sim!
Parabens ao Michael pela sua dedicacao!

Um abraco beirao d'Algodres.